sexta-feira, 11 de março de 2011

Orientação para Pacientes com Hérnia Inguinal

O que é uma hérnia inguinal?

Hérnia é a protusão (saliência ou abaulamento) de parte do conteúdo intra-abdominal que podem ser tecido adiposo, alças de intestino grosso ou intestino delgado através de um orifício na parede da região inguinal que pode ocorrer em um lado ou ambos os lados. Elas podem ser congênitas, por um erro do fechamento da região inguinal que ocorre logo após o nascimento ou podem ser adquiridas em qualquer fase da vida.


A hérnia inguinal é uma doença bastante comum. Cerca de 15% das pessoas são portadoras de hérnia na região inguinal. Qualquer pessoa pode ter hérnia inguinal, mas algumas têm maior propensão de adquiri-las, como:
  • Idade. Apesar de a hérnia inguinal poder ocorrer em qualquer idade, de recém-nascidos até idosos, ela é mais freqüente nos extremos da vida do que no adolescente ou adulto jovem. É mais freqüente no recém-nascido por um defeito congênito (de nascença) e nos idosos por enfraquecimento dos tecidos (músculo) da parede abdominal.
  • Homem. A hérnia inguinal é muito mais freqüente no sexo masculino do que no feminino.
  • Doenças associadas. A hérnia inguinal é mais freqüente em trabalhadores braçais e em pessoas que têm algumas doenças, constipação intestinal crônica, obesidade, tabagismo, doenças da próstata, do pulmão, coração ou fígado. Estas doenças geralmente aumentam a pressão intra-abdominal facilitando a ocorrência das hérnias.
Por que ocorre a hérnia inguinal?

Algumas pessoas nascem com defeito congênito, em que existe uma fraqueza em vários pontos da região inguinal. Algumas condições adquiridas ao longo da nossa vida também podem enfraquecer a parede abdominal na região inguinal e assim facilitar o aparecimento das hérnias.

Quais são os sintomas da hérnia inguinal?

As pessoas que têm hérnia inguinal são geralmente capazes de observar uma saliência ou abaulamento na região inguinal (virilha) de um ou dos dois lados. Esta saliência fica embaixo da pele e se torna mais evidente quando a pessoa tosse, ergue peso ou faz força. Muitas pessoas também sentem desconforto ou dor fraca ou até forte quando fazem esforço físico excessivo.

A hérnia tende a aumentar de tamanho com o passar do tempo. Após alguns meses ou anos, a hérnia pode aumentar de volume e em algumas pessoas pode comprometer até a bolsa escrotal.
A hérnia inguinal pode complicar?

A complicação mais temida da hérnia é o estrangulamento ou encarceramento, que ocorre quando o intestino fica retido no interior do saco herniário, não podendo mais retornar para a cavidade abdominal e, se não tratado com urgência, sofre estrangulamento por diminuição da circulação sanguínea, o que pode acarretar a necrose do segmento de alça intestinal que estiver retido nesta posição anormal. Esta complicação pode ocorrer tanto em pessoas com diminutas hérnias até aqueles que apresentam hérnias volumosas por longos períodos. O estrangulamento provoca cólicas, distensão abdominal e o aumento da dor com a progressão do quadro. O intestino para de funcionar e o paciente pode apresentar perda do apetite, náuseas e vômitos.

Se você apresentar estes sintomas não perca tempo, procure um especialista.


Lembre-se! O uso de cintas, suspensórios ou fundas é desaconselhável, podendo mesmo ser prejudicial pela compressão inadequada da porção intestinal que estiver no interior do saco herniário.

Diagnóstico

O exame da região inguinal pelo médico é suficiente para estabelecer o diagnóstico de hérnia em praticamente todos os pacientes. Este inicia-se pela detalhada obtenção da história clínica, do exame físico além do exame de ecografia para determinar a presença de qualquer segmento herniário que o paciente possa apresentar na parede da região inguinal.

É sempre importante examinar a região inguinal em ambos os lados, pois não é rara a ocorrência de hérnias bilaterais, mesmo sem sintomatologia.

Tratamento

A única forma de tratamento de uma hérnia inguinal sintomática é cirúrgica. Esta operação é muito simples, desde que o paciente não apresente outras doenças que não tratadas podem contra indicar o procedimento.

Existem duas formas de realizar o tratamento cirúrgico da hérnia inguinal:

Herniorrafia através da videocirurgia

Através da videolaparoscopia que é considerada uma técnica minimamente invasiva, que tem a grande vantagem da redução da dor pós-operatória, ausência de incisões convencionais e praticamente ausência de recidivas com retorno rápido as atividades laborais. É hoje considerada a técnica de padrão ouro das hérnias inguinais.



A operação de hérnia inguinal por videocirurgia ou também conhecida como "operação dos furinhos" é realizada através de apenas 3 pequenos furos de meio e um centímetro. Não é necessário fazer um corte grande no abdômen. Se houver hérnia dos dois lados, o tratamento das duas hérnias é feito através dos 3 furos, sem a necessidade de furos adicionais.

O cirurgião e a sua equipe podem visualizar a hérnia em uma televisão. A hérnia e o defeito na parede abdominal são filmados por uma pequena câmara colocada através de um dos furos.


 
Herniorrafia através de um corte 


Tension-free, empregada especialmente em pacientes que tem cirurgias abdominais prévias onde a vídeolaparoscopia não pode ser realizada com segurança. Diferencia-se da anterior pois é realizada através de uma pequena incisão cirúrgica, que permite que o procedimento seja realizado apenas sob anestesia local e uma leve sedação, com os mesmo resultados. 
A hérnia é empurrada para dentro do abdômen (barriga) e a abertura (buraco ou fraqueza) da parede abdominal é fechada com uma tela bastante resistente.


Vantagens da Operação
  • Realizada apenas com 3 diminutas punções na parede abdominal por onde são introduzidos uma microcâmera de vídeo de alta resolução além de outros instrumentos, que são necessários para a correção do defeito herniário.
  • Recuperação rápida do paciente, os pacientes ficam internados no hospital menos de 6 horas e podem retornar ao trabalho em apenas 1 semana, além da vantagem adicional de poder realizar a correção das hérnias bilaterais simultâneamente.
  • Diminuição expressiva da dor pós-operatória.
  • Aspecto estético considerável.
  • Risco de infecção desprezível.
Todos os pacientes com hérnia inguinal precisam operar?

Todas as pessoas com hérnia inguinal, independente da idade, devem ser operadas, com exceção dos que têm outras doenças graves e que apresentam risco cirúrgico elevado.
Complicações

Apesar dos resultados do tratamento cirúrgico serem excelentes, alguns pacientes podem ter complicações, como em qualquer procedimento cirúrgico. As complicações mais comuns são hematoma (coleção de sangue), retenção urinária (impossibilidade temporária de urinar) e risco anestésico, em pacientes portadores de doenças graves associadas.

Orientações Pós-Operatórias

A recuperação da operação é geralmente muito rápida e a maioria dos pacientes retorna as suas atividades normais em poucos dias.

Os pacientes recebem orientação nutricional para os primeiros sete dias, bem como a prescrição medicamentosa para o período pós-operatório.

Os cortes ou furinhos são fechados com pontos e cobertos com curativo (micropore). É raro que ocorra hematoma ("azulado" ou "roxo") ou pequenos sangramentos. Nesses casos, o micropore não deve ser retirado, a menos que o seu médico oriente neste sentido.

Pacientes operados de hérnia inguinal devem evitar ficar muito tempo deitados ou sentados. Devem, ao contrário, caminhar várias vezes ao dia, andando e subindo escadas, lentamente. Em geral, após sete dias de operados, os pacientes podem retomar atividades como dirigir ou carregar pesos não excessivos.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Leptospirose

A tragédia da região serrana do RJ, que vitimou centenas de pessoas nos desmoronamentos provocados pelas fortes chuvas, em janeiro, nos lembra de uma doença bastante frequente após grandes inundações. A lepitospirose.

Essa é, provavelmente, uma das zoonoses de maior preocupação em todo mundo. Apresenta vasta distribuição geográfica, tendo sido evidenciada em mais da metade dos países, sendo particularmente prevalente nas Américas. Ocorre de forma endêmica na América Latina e no Caribe, com impacto na saúde pública e na economia agropecuária.
Acomete animais domésticos e silvestres e o homem como final da cadeia epidemiológica. Os animais silvestres, mamíferos (roedores, herbívoros, insetívoros, carnívoros), aves, répteis e anfíbios são portadores ou reservatórios de leptospiras para o homem e espécies domésticas.
O agente causal pertence ao gênero Leptospira que são bactérias espiraladas, longas, finas, ponteagudas e ativamente móveis.
A ocorrência de leptospirose está estreitamente vinculada aos fatores ambientais, que podem dar lugar a um foco de infecção, cuja amplitude está na dependência de condições favoráveis. Podem permanecer viáveis em água limpa por até 152 dias, mas não toleram alta salinidade, dessecação, pH ácido e a competição bacteriana em meios muito contaminados. Sem dúvida a água das chuvas é ideal para a sua sobrevivência.

Habitat favorável ao surgimento de focos de leptospirose.

Na zona urbana, principalmente em grandes cidades, durante a época das chuvas, as inundações se constituem no principal fator de risco para a ocorrência de surtos epidêmicos de leptospirose humana. Localidades com más condições de saneamento básico são as principalmente acometidas de surtos devido à presença de esgoto a céu aberto e lixões, proximidade com córregos, os quais propiciam o contato direto com as águas contaminadas com urina de roedores sinatrópicos (ratos e camundongos) e cães errantes.
A leptospirose humana pode se manifestar de forma leve ou moderada, também denominada anictérica, ou severa e fatal, forma ictérica. O período de incubação varia de 2 a 20 dias, sendo os sintomas iniciais semelhantes aos da gripe, que depois evoluem para alterações específicas.


Sintomas na leptospirose humana
Inespecíficos
Específicos
febre 38-39° C
icterícia
cansaço
alterações cardiovasculares
indisposição
dificuldade respiratória
calafrios
distúrbios neurológicos
cefaléia
disfunção renal
mialgias (dor na panturrilha)

conjuntivas congestas

náusea

vômito (hemoptise)

erupções cutâneas


Alguns sintomas cedem em 3-4 dias, reaparecendo posteriormente com o agravamento do quadro clinico. A síndrome de Weil, causada pelos sorovares Icterohaemorrhagiae e Copenhageni, é a mais frequente e mais grave manifestação desta enfermidade.
Os cães, como animais de companhia, podem ser responsáveis pela transmissão da leptospirose aos seres humanos, principalmente crianças. A leptospirose canina ocorre principalmente pelos sorovares Icterohaemorrhagiae, Copenhageni e Canicola, cujo curso pode variar de sub-clínico, agudo ou crônico. Várias são as manifestações clínicas, que podem incluir ou não a icterícia, dependendo do sorovar infectante. Na forma aguda pode causar a morte do animal por insuficiencia renal e hepática, aqueles que sobrevivem à infecção tornam-se portadores e excretores de leptospiras pela urina de forma assintomática, disseminando a doença para outros cães, outras espécies animais e o homem. Na zona rural, as características do habitat e a presença de animais silvestres assumem grande importância para as criações de animais de produção (bovinos, bubalinos, suínos, eqüinos, ovinos e caprinos). Nessas, a leptospirose se constitui em uma enfermidade reprodutiva responsável pela quebra na produção de leite e carne em função da infertilidade e do abortamento, ocorrendo mais freqüentemente pela infecção pelos sorovares Hardjo (Hardjobovis ou Hardjoprajitno), Pomona, Grippotyphosa e Icterohaemorrhagiae. No gado leiteiro, o aparecimento de mastite flácida com agalactia e pequena quantidade de sangue no leite também tem sido verificado. Nestes casos, ocorre a diminuição na produção do leite que dura de 2 a 10 dias (Sindrome da Queda do Leite ou Milk Drop Syndrome). O leite torna-se amarelado, com consistência de colostro, grumos grosseiros e elevada contagem de células somáticas.
Animais que sobrevivem apresentam retardo no crescimento e no ganho de peso, com significantes lesões renais, as quais condenam a carcaça no abate. Se o veterinário de inspeção estiver afeito às lesões poderá utilizar a informação para detectar o foco ou rebanho infectado. Nos suínos a leptospirose se manifesta como infertilidade, abortamentos, nascimento de animais fracos e inviáveis. Animais que se recuperam freqüentemente se tornam portadores renais e genitais da bactéria e também disseminam a enfermidade no plantel.
Nos ovinos e caprinos, a leptospirose aparece com sintomas principalmente reprodutivos, semelhantes aos bovinos. Na infecção aguda observam-se anorexia, dificuldade respiratória, anemia hemolítica, icterícia, urina de cor vermelha escuro e febre. Há certa evidência que também os ovinos sejam hospedeiros de manutenção do sorovar Hardjo. Entretanto, no Brasil, os sorovares mais freqüentemente observados no sorodiagnóstico nesta espécie são Icterohaemorrhagiae e Hebdomadis. Na espécie caprina, também o sorovar Icterohaemorrhagiae é mais detectado, seguido de Castellonis e Grippotyphosa.
O homem que lida diretamente com as criações pode ser infectado a partir do contato com animais doentes ou portadores e, portanto, a leptospirose humana como enfermidade ocupacional ocorre mais freqüentemente em veterinários, granjeiros e magarefes. Atualmente, o principal grupo de risco ocupacional no mundo é o que lida com rebanhos bovinos leiteiros e granjas produtoras de suínos. Alem destas categorias profissionais, os plantadores de cana-de-açúcar, os trabalhadores de arrozais, os mineiros, os lixeiros entre outras estão sob risco de exposição.
Existe ainda a possibilidade do homem se infectar em atividades recreativas e lazer, embora menos freqüente e puramente acidental, ao banhar-se em rios, riachos, lagos e mananciais que recebem dejetos de animais ou na prática de atividades esportivas em ambientes contaminados como em pescarias.

Modelos de transmissão da leptospirose
Diante dos primeiros sintomas, o médico deve ser sempre procurado lembrando de informar os antecedentes de contato com águas de enchentes e contato com animais, pois, a partir destas informações, juntamente com o quadro clínico e os exames laboratoriais, é que se estabelece o diagnóstico.
No caso de animais de produção ou de companhia, o médico veterinário deve ser chamado para estabelecer o diagnóstico, não somente pelos prejuízos no plantel, mas, sobretudo, por tratar-se de uma zoonose que implica no estabelecimento imediato de medidas de controle e de prevenção para que sejam minimizados os riscos de disseminação entre as pessoas de contato com estes animais.
Para se entender melhor a transmissão da leptospirose, é preciso que se conheça a sua epidemiologia.
As portas de entrada para as leptospiras invadirem o organismo dos hospedeiros vertebrados são pele e membranas mucosas: conjuntiva, nasofaríngea e genital. Nas inundações, a imersão em águas contaminadas com leptospiras permite a penetração devido à eliminação de barreiras naturais protetoras da pele, mesmo íntegra.
A habilidade em sobreviver e multiplicar é o maior componente de virulência das leptospiras. Imediatamente após a penetração no hospedeiro, quer seja animal ou humano, elas se disseminam rapidamente por via linfática e sanguínea. Enquanto as leptospiras não patogênicas são rapidamente destruídas pela fagocitose reticulo-endotelial, as patogênicas escapam a fagocitose e rapidamente se multiplicam exponencialmente na corrente sanguínea atingindo os vários órgãos. Cerca de 5-7 dias após a infecção aparecem os primeiros sintomas. Com o aparecimento dos anticorpos (imunoglobulinas específicas) a multiplicação diminui ou cessa e o hospedeiro pode se recuperar ou vir a óbito, pelo efeito da intensa multiplicação ou mesmo pelas lesões decorrentes da infecção.
O tempo para o estabelecimento de lesões é função principalmente da virulência da estirpe e da dose infectante, e influenciado pela capacidade de resposta imune opsonizante do hospedeiro.
Nos animais que sobrevivem à infecção aguda, as leptospiras persistem em sítios imunologicamente protegidos como túbulos renais proximais, câmara anterior do olho e trato genital e tornam-se portadores renais ou genitais, e importantes fontes de infecção para novos susceptíveis.
Nos animais prenhes, após alcançarem a circulação sanguínea ou corrente linfática, atingem o útero e a placenta em qualquer estágio de gestação, alcançam o feto que morre por leptospirose sendo expulso cerca de 24 horas depois.
O conhecimento da severidade da infecção, da distribuição geográfica, dos fatores de risco envolvidos e das estirpes circulantes é de extrema importância para o estabelecimento da epidemiologia regional desta enfermidade e o aprimoramento de medidas preventivas.


domingo, 6 de fevereiro de 2011

Fascite plantar

Sabe aquela dorzinha no pé, na parte de baixo, na primeira pisada ao levantar da cama ou quando se passa algum tempo sentado? Ela começa como uma pequena pontada, mas se torna um grande incômodo. É a fascíte plantar.


O que é a fascite plantar?

A fascite ou fasceíte plantar é um processo inflamatório uni ou bilateral da estrutura que recobre toda a superfície plantar do pé.



O que pode causar a fascite?

A lesão está relacionada a distúrbios posturais, tipos de pé e pisada – tanto cavo (tendência a pisar para fora) quanto plano (tendência a pisar para dentro) –; ficar muitas horas em pé diariamente; caminhada e corrida em quantidade e intensidade acima do que a estrutura suporta; só para citar alguns exemplos. Pessoas obesas também apresentam predisposição para o desenvolvimento da lesão por conta da sobrecarga na região.



Quais os sintomas do problema?

O quadro clínico é caracterizado por dor à palpação e ao andar, no calcâneo (calcanhar) e na própria fáscia plantar e, sobretudo, no primeiro passo ao acordar ou após longos períodos sem descarga de peso. Os pacientes em geral relatam que essa dor é semelhante à sensação de uma agulhada, choque, pontada ou latejamento. Outro sinal bem característico da lesão é a retração da fáscia plantar, isto é, nota-se uma rigidez ao tocar no local.



Quais os tratamentos indicados?

O tratamento conservador consiste em repouso, antiinflamatórios, órteses ou palmilhas para alívio da pressão local e fisioterapia analgésica e antiinflamatória; estiramento da fáscia através de liberação miofascial e deslizamento profundo (uma espécie de massagem mais elaborada); e alongamento da musculatura do pé e panturrilha. Há ainda, para os casos mais graves, o tratamento cirúrgico: fasciotomia (liberação da fáscia plantar) e excisão do esporão de calcâneo. O esporão é uma complicação frequente da lesão, definido por ossificação/calcificação do ponto de fixação da fáscia plantar no calcâneo (tuberosidade do calcâneo).



O tratamento é longo?

É difícil precisar tempo para a cura da lesão, pois isso depende de quanto existe a lesão, modalidade esportiva praticada, estrutura musculoesquelética de cada paciente, por exemplo. Pode levar até um ano. A fascite plantar é uma lesão que exige muita paciência e dedicação do corredor para uma melhora eficaz.



Quais modalidades esportivas estão mais sujeitas à lesão?

Dos pacientes que já tratei, 90% eram corredores de longa distância (maratonistas, por exemplo), corredores ocasionais e saltadores. O restante era de indivíduos que ficam muito tempo em pé no trabalho, sobretudo mulheres que passam muitas horas de salto alto.


Entrevista com Juliana Gama, fisioterapeuta graduada pela Universidade Paulista, com especialização em Fisiologia do Exercício pela Universidade Federal de São Carlos, e com formação completa no Método Pilates pela Salute Pilates Fisioterapia

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Utilidade Pública

Saiba mais sobre o Dengue e como prevenir
O dengue é uma doença transmitida pelo mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. A doença é acometida de febre aguda que se caracteriza por um início repentino, permanecendo por 5 a 7 dias. O doente apresenta dor de cabeça intensa, dores nas articulações e musculares, seguidas de erupções cutâneas 3 a 4 dias depois. Surge sob a forma de grandes epidemias, com grande número de casos.
Existem quatro tipos diferentes de sorotipos do vírus do dengue, denominados dengue 1, 2, 3 e 4. Algumas manifestações do dengue são hemorrágicas, isto é, o paciente apresenta hemorragia severa e choque. Nestes casos, após um período de febre, o estado do paciente piora repentinamente, com sinais de insuficiência circulatória, apresentando pele manchada e fria, lábios azulados e, em casos graves, diminuição da pressão do pulso. Instala-se então uma síndrome de choque do dengue podendo levar o paciente ao óbito. Os casos de dengue hemorrágico ocorrem mais freqüentemente quando o paciente é acometido pela segunda vez da doença, mas com exposição a diferentes sorotipos da doença.
Veja abaixo as principais medidas preventivas para o controle do mosquito Aedes aegypti bem como para outros mosquitos, que o Pragas On-line preparou para você.


As espécies de Aedes mais importantes são listadas a seguir:

Aedes aegypti

Esta espécie é nativa da África e foi descrita originalmente no Egito. É uma das espécies responsáveis pela transmissão do
 dengue e febre amarela febre amarela (arboviroses). O Aedes aegypti tem a cor escura e manchas brancas pelo corpo.
Utiliza recipientes artificiais com água parada para depositar seus ovos que são fixados acima do nível da água. Estes resistem a longos períodos de dessecação, o que permite que seja transportado facilmente de um local para o outro. Os locais onde normalmente são encontradas suas larvas são: pneus, pratos de vasos, latas, garrafas, caixa d’água e cisternas mal fechadas, latas, vidros, vasos de cemitério, piscinas, lagos e aquários abandonados, entre outros. 
As fêmeas picam preferencialmente ao amanhecer e próximo ao crepúsculo, mas podem picar em qualquer hora do dia. Elas podem picar qualquer animal, mas o homem é o mais atacado. Esta espécie abandona o hospedeiro ao menor movimento, passando, desta forma, por vários hospedeiros disseminando-se assim a doença.

Aedes albopictus

Esta espécie foi descrita na Índia tendo sido introduzida no nosso país através do comércio. Foi descoberta no Brasil em 1986 nos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Atualmente encontra-se distribuída em vários outros Estados. Diferentemente do
 A. aegypti, esta espécie não está tão relacionada com a atividade humana, distribuindo-se com facilidade no meio rural. A postura é realizada em criadouros naturais, tais como ocos de árvore cheios d’água, internódios de bambu, cascas de fruta, etc. Os ovos são depositados em poucas quantidades, mas em diversos locais, o que facilita uma rápida dispersão. Também possui hábito diurno, assim como o A. aegypti.
A. albopictus é vetor do dengue na Ásia, mas no Brasil ainda não existem provas de que possa estar veiculando a doença, já que não foram descobertos adultos nem larvas desta espécie em zonas de epidemia da doença.

DENGUE

O dengue é uma doença transmitida pelo mosquitos
 Aedes aegypti e Aedes albopictus. A doença é acometida de febre aguda que se caracteriza por um início repentino, permanecendo por 5 a 7 dias. O doente apresenta dor de cabeça intensa, dores nas articulações e musculares, seguidas de erupções cutâneas 3 a 4 dias depois. Surge sob a forma de grandes epidemias, com grande número de casos.
Existem quatro tipos diferentes de sorotipos do vírus do dengue, denominados dengue 1, 2, 3 e 4. Algumas manifestações do dengue são hemorrágicas, isto é, o paciente apresenta hemorragia severa e choque. Nestes casos, após um período de febre, o estado do paciente piora repentinamente, com sinais de insuficiência circulatória, apresentando pele manchada e fria, lábios azulados e, em casos graves, diminuição da pressão do pulso. Instala-se então uma síndrome de choque do dengue podendo levar o paciente ao óbito. Os casos de dengue hemorrágico ocorrem mais freqüentemente quando o paciente é acometido pela segunda vez da doença, mas com exposição a diferentes sorotipos da doença.

FEBRE AMARELA

O mosquito do dengue
 Aedes aegypti também é responsável pela transmissão de um vírus chamado flavivirus que causa a febre amarela. No Brasil, a doença é endêmica nos Estados de Roraima, Amazonas, Pará, Maranhão, Acre, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e no território do Amapá.
Os sintomas da febre amarela são mal estar e febre alta. Estando com estes sintomas, o paciente deve procurar imediatamente um médico pois a doença evolui rapidamente para náuseas, vômitos, hemorragias na boca, nariz e no aparelho digestivo, além da pele ficar com um tom amarelado (icterícia). A doença provoca lesões graves nos rins e fígado e pode levar a morte.
Quem viaja para regiões onde a doença é endêmica deve tomar vacina dez dias antes do embarque. A validade da vacina contra a febre amarela é de dez anos e ela pode ser encontrada gratuitamente nos postos de saúde.

MEDIDAS PREVENTIVAS PARA O CONTROLE DE MOSQUITOS
  1. Evitar água parada.
  2. Sempre que possível, esvaziar e escovar as paredes internas de recipientes que acumulam água.
  3. Manter totalmente fechadas cisternas, caixas d'água e reservatórios provisórios tais como tambores e barris.
  4. Furar pneus e guardá-los em locais protegidos das chuvas.
  5. Guardar latas e garrafas emborcadas para não reter água.
  6. Limpar periodicamente, calhas de telhados, marquises e rebaixos de banheiros e cozinhas, não permitindo o acúmulo de água.
  7. Jogar quinzenalmente desinfetante nos ralos externos das edificações e nos internos pouco utilizados.
  8. Drenar terrenos onde ocorra formação de poças.
  9. Não acumular latas, pneus e garrafas.
  10. Encher com areia ou pó de pedra poços desativados ou depressões de terreno.
  11. Manter fossas sépticas em perfeito estado de conservação e funcionamento.
  12. Colocar peixes barrigudinhos em charcos, lagoa ou água que não possa ser drenada.
  13. Não despejar lixo em valas, valetas, margens de córregos e riachos, mantendo-os desobstruídos.
  14. Manter permanentemente secos, subsolos e garagens.
  15. Não cultivar plantas aquáticas.
Medidas preventivas para o Controle de Mosquitos - Fonte: CVS 09 de 16 de novembro de 2001.


Anote uma receita caseira de combate ao mosquito da dengue, baratíssima, simples e com eficiência comprovada cientificamente

A população de todo o Brasil pode ajudar nos trabalhos realizados pelas secretarias de saúde de combate ao mosquito transmissor da dengue. A receita é prática e simples e não envolve uso de venenos ou inseticidas perigosos à saúde humana ou dos animais. A proliferação do mosquito da espécie
 Aedes aegypti, que transmite a doença, pode ser combatida colocando-se borra de café nos pratinhos de coleta de água dos vasos, nos pratos dos xaxins, entre as folhas das plantas que acumulam água, como as bromélias e nos locais da casa em que a água se acumula e fica parada, como ralos. O único trabalho que você terá é colocar aquele pó úmido que resta depois do café ser coado. 

A descoberta que revelou que a borra de café combate com eficiência o
 Aedes aegypti é da cientista e bióloga Alessandra Laranja. Ela é pesquisadora do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), campus de São José do Rio Preto. Os testes realizados em laboratório comprovaram que a borra de café - que fica depositada no coador, é uma arma muito eficiente contra o mosquito transmissor da dengue. A borra depositada nos pratinhos e reservas de água de plantas impede que o mosquito transmissor da dengue ponha seus ovos. 

Se o
 Aedes aegypti já tiver desovado, mesmo assim, a borra de café consegue impedir que os ovos se desenvolvam em larvas. Em seu estudo, a bióloga mostrou que a cafeína da borra de café altera as enzimas chamadas esterases, responsáveis por processos fisiológicos fundamentais como o metabolismo hormonal e da reprodução do Aedes aegypti. Anote agora a receita caseira para combater o mosquito da dengue com borra de café:
  • Para fazer a solução que pode ser aplicada em pratos, plantas ou até mesmo jardins e hortas que acumulem água você vai precisar de 2 colheres das de sopa de borra de café misturadas em meio copo de água. Depois de pronto você já pode começar a aplicar o conteúdo. Se precisar de mais, faça sempre na proporção indicada, ou seja, 2 colheres de borra de café para cada meio copo de água.
  • Outra receita com a borra de café é usá-la diretamente nos vasos, sem a diluição em água. Desta maneira você estará também adubando de forma ecológica as plantas. A diluição da borra de café vai acontecer naturalmente, na medida em que a planta for regada.
  • Não se esqueça que a borra de café pode ser aplicada também em outros locais da casa que acumulem água como, por exemplo, nos ralos e até mesmo na terra do jardim ou poças que se formam com a água da chuva.
  • E lembre-se, ajude o Brasil na luta contra a dengue. Faça propaganda boca-a-boca, informe seus amigos e familiares, dissemine esta receita que é barata, simples e acessível. Além de saborear o bom e velho "cafezinho" brasileiro, você poderá contribuir com a melhoria do seu meio ambiente e da saúde pública.
(Fonte: Jornal do Commercio - www.jornaldocommercio.com.br  e
Boletim Raízes da Terra
 www.cesamep.cjb.net )

sábado, 8 de janeiro de 2011

Cuide do seu fígado

Ele sofre silencioso, aguenta as consequências dos exageros da gula e do álcool e quando dá algum sinal é o aviso para cuidar da saúde e repensar o estilo de vida. Estamos falando do fígado, o principal e maior órgão interno que, entre suas muitas funções, é responsável por processar os alimentos após sua absorção no intestino, por regular o metabolismo dos carboidratos, proteínas e gorduras que ingerimos, pela síntese e metabolismo do colesterol e alguns hormônios, além da metabolização dos medicamentos e depuração de produtos tóxicos aos quais o organismo está freqüentemente exposto. 

"Por ser um órgão vital para o ser humano, a manutenção de um bom funcionamento das funções hepáticas é fundamental para uma vida saudável", enfatiza o médico hepatologista Élson Vidal Martins Junior, diretor do Centro de Diagnóstico e Tratamento das Doenças do Fígado do Hospital da Beneficência Portuguesa de Santos. É o único da região que mantém uma unidade específica para tratamento dos males do fígado, entre eles as hepatites virais.

DOENÇAS HEPÁTICAS

Além das hepatites virais, outros graves problemas podem atingir o fígado como as hepatites alcoólicas e medicamentosas, esteatose hepática, doenças genéticas (como hemocromatose, caracterizada por excesso de ferro, e Doença de Wilson, excesso de cobre) e auto-imunes. E o pior é que geralmente as doenças evoluem sem apresentar nenhum sintoma. "Icterícia, o popular amarelão, e sintoma de lesão aguda ocorrem em fases mais avançadas em conjunto com a ascite (barriga d`água) e predisposição a hemorragias. O ideal é fazer periodicamente uma avaliação laboratorial e sorológica para pessoas com fatores de risco ou expostas", recomenda o médico Élson Vidal.

Segundo estimativas da OMS, em média de 2% a 3% das pessoas têm algum dos seis tipos existentes de hepatites (A, B, C, D, E e G). A do tipo C, para a qual ainda não há vacina, é considerada hoje um problema de saúde pública no mundo. A estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta para cerca de 200 milhões de pessoas infectadas com o vírus da hepatite C (no Brasil, calcula-se três milhões) e 300 milhões de portadores de hepatite B crônica. Boa parte desconhece ser portador do vírus, já que a doença evolui silenciosamente.

O FÍGADO DE PROMETEU

Prometeu é um dos titãs da mitologia grega, celebrizado pela peça teatral escrita por Ésquilo 462 anos antes de Cristo. A história narra a punição que lhe é imposta por Zeus, pelo crime de roubar o fogo da inteligência dos deuses e dá-lo aos homens. Ele é acorrentado a um rochedo onde uma ave vem dilarerar-lhe o fígado diariamente. O fígado regenera-se à noite e, assim, a punição se torna eterna, para seu azar. Para nosso azar, de pobres mortais, os problemas do fígado não têm fácil solução.

SINAIS DE RISCOS

Alguns sinais e sintomas podem indicar a ocorrência de lesão hepática: icterícia (coloração amarelada da pele e olhos); urina escura e fezes esbranquiçadas; dor e inchaço abdominais; hematomas cutâneos e sangramento digestivo; fadiga crônica, náusea e perda de apetite. Élson Vidal lembra que a prevenção é o mais importante e a pessoa deve solicitar ao médico a inclusão dos testes de função hepática e sorologias para hepatite durante os exames de rotina.

COMO SE PROTEGER

Evite consumo desnecessário de medicamentos e não misture remédios sem escutar o médico; evite consumo de drogas (além da dependência química e psicológica, drogas como cocaína, ecstasy e solventes são tóxicos para o fígado); evite consumo abusivo de bebidas alcoólicas; não misture medicamentos com álcool; evite se expor e inalar solventes; utilize máscaras em caso de exposição prolongada a inseticidas, tintas e combustíveis e luvas para manipular esses produtos, que podem ser absorvidos pela pele; utilize preservativos nas relações sexuais; não compartilhe material de manicure e de barbear; adote uma alimentação saudável e balanceada, evitando gorduras e alimentos ricos em colesterol e ingerindo doces com moderação. Certifique-se da procedência de alimentos como ostras e mariscos, que podem ser contaminados com o vírus da hepatite A.

Em caso de diabetes, é importante manter a glicemia dentro dos parâmetros recomendados pelo seu médico. A manutenção do peso é fundamental, já que a obesidade é uma das principais causas de dano hepático. Faça atividade física regular e, se estiver fazendo dieta para emagrecer, assegure-se da ingestão de vitaminas e sais minerais de que seu organismo necessita.

PREVENÇÕES E TRATAMENTOS

A hepatite B pode ser prevenida através de vacinação. Já para o tipo C, transmitida principalmente através de sangue contaminado, não há vacina e o melhor é evitar procedimentos de risco (tatuagem, piercing, uso comum de aparelhos de manicure, barbear, seringas). O vírus da hepatite C sobrevive no meio ambiente por até 72 horas e, o do tipo B, por uma semana.

O médico Élson Vidal explica que os tratamentos para as doenças hepáticas são muito eficazes atualmente, especialmente para as hepatites virais B e C. "Outras doenças hepáticas também têm tratamento, mas é importante tratar cada caso individualmente. Além disso, temos o transplante hepático com ótimos resultados". A unidade de doenças do fígado da Beneficência Portuguesa desde o ano passado vem atendendo pelo SUS os pacientes encaminhados pela Secretaria de Saúde de Santos, após a confirmação da doença.

GORDURA NO FÍGADO

A esteatose ou esteato-hepatite, conhecida popularmente como gordura no fígado, é uma doença silenciosa que atinge pessoas obesas, com colesterol ou triglicérides elevados ou com diabetes. O acúmulo de gordura no fígado, mesmo sem ingestão alcoólica, pode causar cirrose e, em alguns casos, até mesmo câncer de fígado. "Mas é potencialmente reversível, se suas causas forem diagnosticadas e corrigidas", esclarece o médico João Galizzi Filho, presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia.

Segundo ele, esta é a alteração no fígado mais freqüente em todo o mundo, ocorrendo em crianças e adultos. "Sabe-se que a esteatose acomete crianças acima dos 10 anos de idade, como também adultos situados na faixa etária entre 20 e 60 anos. O sexo feminino é o mais comprometido (de 60 a 80%) e mulheres diabéticas com idade superior a 50 anos teriam um maior risco de desenvolver a doença". Nos EUA, onde a população engordou muito, é conhecida como fatty liver (fígado gorduroso), estando presente em 20% da população geral e em até 40% das pessoas a partir de 50 anos.

"Os tratamentos indicados para este tipo de doença são a perda de peso a partir de uma dieta elaborada, os exercícios físicos regulares e moderados e, se necessário, correção dos níveis da glicose (se há diabetes), colesterol e triglicérides com a ajuda de medicamentos", recomenda o médico.

MITOS E VERDADES

Dor-de-cabeça não é sintoma de dano hepático. Na maioria das vezes trata-se de quadro de enxaqueca.

Os sintomas atribuídos ao fígado são, geralmente, decorrentes de doenças gástricas ou esofágicas.

Medicamentos "hepatoprotetores" (daqueles que costumam ser tomados depois de uns goles a mais ou exagero na comida) não possuem respaldo científico, bem como os chás de ervas medicinais.

Fonte: http://www.jornaldaorla.com.br